Por esses dias me veio à cabeça uma frase que eu havia lido
em um livro “As pessoas só começam a dar valor à vida quando se deparam com a
morte de perto. Seja essa de seus familiares, amigos queridos ou em uma
situação de risco que nos deparamos”. Para falar a verdade, não lembro se a
frase era exatamente assim ou, ao menos, o nome do livro certinho. Eu, apenas, guardei a
mensagem e refleti sobre ela.
Sabe... Eu sempre admirei muito os meus avós e com a mesma
intensidade, mesmo eles sendo completamente diferentes. O meu avô paterno era
muito alegre, sempre tinha um sorriso no rosto e uma cantiga na boca, já o meu
outro avô é tímido e todo fofinho. Uma avó eu nunca conheci e a outra materna
eu nunca tive uma relação tão forte, mas hoje convivo mais com ela.
A única coisa que os meus dois avôs se pareciam era que não
conseguiam decorar os nomes de todos os netos. E olha que, para ambos, são
MUITOOOOOS netos... Daí eles, muito espertos, começaram a chamar os netos por
apelidos iguais: fia/fio ou moleca/moleque.
Há pouco tempo o meu avô paterno se foi e foi difícil aceitar.
E por mais que as pessoas falassem que já estava na hora, que ele já estava
velhinho, era impossível não sentir a dor de sua falta. Pois ele tinha um
espaço só dele aqui no meu peito... O espaço do meu “vô artista”, é assim que
eu o considero, um “artista de sangue” que cultivava a arte de sorrir, contar
histórias e de cantar. Ele se foi, mas o lugarzinho dele está aqui. E sabe...
Ainda dói saber que ele não está mais aqui e nem estará a minha disposição para um abraço ou para pequenas prosas, agora só sobrou as lembranças. Mas hoje eu paro para pensar e,
cara, que bom que eu só tenho boas lembranças do meu artista.
O meu outro avô, tenho certeza que sentirei a mesma falta e
irá doer do mesmo jeito quando ele se for. Mas agora eu sei que, quando ele se
for, o lugarzinho dele que fica dentro do meu coração também continuará cheio de boas lembranças. E será um lugar exclusivo, igual ao do meu vô
artista... Os momentos que estivemos juntos, o cheiro de suas roupas, o jeito
de falar, o jeito de andar, os seus hábitos e tudo me fará lembrar dele.
Igualmente ao que vivo com o meu avô que já se foi.
Tá, mas o que isso tudo que eu escrevi tem a ver com a frase
do livro que eu mencionei no começo do texto?
Tem a ver que depois que me deparei com a morte
do meu avô artista, eu comecei a pensar mais no meu avô tímido. E que como eu
colecionei boas lembranças e chorei por lembrar com carinho por um, assim eu
quero que seja com o outro ou ainda com a minha avó.
Eu sei que vai doer muito
saber que eles não estarão mais aqui para eu abraçar, e dói mesmo. É uma dor diferente,
que deixa o coração apertadinho e te faz chorar independente de onde você está
ou do que está fazendo. Mas, a partir do momento em que essas pessoas se vão, o
que fica são as lembranças e você tem que seguir com a sua vida. E por isso é importante
que as lembranças que você tem, de quando você estava com quem já se foi, sejam
boas para que não se arrependa a vida inteira por algo que fez ou deixou de
fazer para eles.
As pessoas idosas costumam falar e repetir muitas vezes as
mesmas coisas, gostam de contar histórias... E sabe, não custa nada parar um
tempinho para escutá-las. Pois você aprenderá muito com elas e sentirá saudade
de cada momento e cada história (principalmente, terá saudade, das histórias
mais repetidas que os seus avós contavam).
Por isso escute, dê atenção, reserve um tempinho para eles
enquanto há vida. Porque, depois que eles se vão, a saudade é inevitável.