sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Ouça Bem

Ouça bem, ouça muito bem
Si tu te aproximaste para me provocar dor,
Não te demores.
Apressa-te e deixe, logo, a facada!
Não espereis até que eu me apegue demais.
Vá e seja breve!
Deposite a dor, mas depois suma.
E se a tua consciência pesar e quiser perdão,
saiba que já o tens, mas vai depressa!
Vai-te,
pois esse coração já não aguenta ter que
 se armar e desarmar tantas vezes.
Já não aguenta tantas falsas promessas...
 Vai! Apenas vai!

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

“As pessoas começam a dar valor à vida quando se deparam com a morte”

Por esses dias me veio à cabeça uma frase que eu havia lido em um livro “As pessoas só começam a dar valor à vida quando se deparam com a morte de perto. Seja essa de seus familiares, amigos queridos ou em uma situação de risco que nos deparamos”. Para falar a verdade, não lembro se a frase era exatamente assim ou, ao menos, o nome do livro certinho. Eu, apenas, guardei a mensagem e refleti sobre ela.

Sabe... Eu sempre admirei muito os meus avós e com a mesma intensidade, mesmo eles sendo completamente diferentes. O meu avô paterno era muito alegre, sempre tinha um sorriso no rosto e uma cantiga na boca, já o meu outro avô é tímido e todo fofinho. Uma avó eu nunca conheci e a outra materna eu nunca tive uma relação tão forte, mas hoje convivo mais com ela.

A única coisa que os meus dois avôs se pareciam era que não conseguiam decorar os nomes de todos os netos. E olha que, para ambos, são MUITOOOOOS netos... Daí eles, muito espertos, começaram a chamar os netos por apelidos iguais: fia/fio ou moleca/moleque.

Há pouco tempo o meu avô paterno se foi e foi difícil aceitar. E por mais que as pessoas falassem que já estava na hora, que ele já estava velhinho, era impossível não sentir a dor de sua falta. Pois ele tinha um espaço só dele aqui no meu peito... O espaço do meu “vô artista”, é assim que eu o considero, um “artista de sangue” que cultivava a arte de sorrir, contar histórias e de cantar. Ele se foi, mas o lugarzinho dele está aqui. E sabe... Ainda dói saber que ele não está mais aqui e nem estará a minha disposição para um abraço ou para pequenas prosas, agora só sobrou as lembranças. Mas hoje eu paro para pensar e, cara, que bom que eu só tenho boas lembranças do meu artista.

O meu outro avô, tenho certeza que sentirei a mesma falta e irá doer do mesmo jeito quando ele se for. Mas agora eu sei que, quando ele se for, o lugarzinho dele que fica dentro do meu coração também continuará  cheio de boas lembranças. E será um lugar exclusivo, igual ao do meu vô artista... Os momentos que estivemos juntos, o cheiro de suas roupas, o jeito de falar, o jeito de andar, os seus hábitos e tudo me fará lembrar dele. Igualmente ao que vivo com o meu avô que já se foi.

Tá, mas o que isso tudo que eu escrevi tem a ver com a frase do livro que eu mencionei no começo do texto?

Tem a ver que depois que me deparei com a morte do meu avô artista, eu comecei a pensar mais no meu avô tímido. E que como eu colecionei boas lembranças e chorei por lembrar com carinho por um, assim eu quero que seja com o outro ou ainda com a minha avó. 
Eu sei que vai doer muito saber que eles não estarão mais aqui para eu abraçar, e dói mesmo. É uma dor diferente, que deixa o coração apertadinho e te faz chorar independente de onde você está ou do que está fazendo. Mas, a partir do momento em que essas pessoas se vão, o que fica são as lembranças e você tem que seguir com a sua vida. E por isso é importante que as lembranças que você tem, de quando você estava com quem já se foi, sejam boas para que não se arrependa a vida inteira por algo que fez ou deixou de fazer para eles.

As pessoas idosas costumam falar e repetir muitas vezes as mesmas coisas, gostam de contar histórias... E sabe, não custa nada parar um tempinho para escutá-las. Pois você aprenderá muito com elas e sentirá saudade de cada momento e cada história (principalmente, terá saudade, das histórias mais repetidas que os seus avós contavam).

Por isso escute, dê atenção, reserve um tempinho para eles enquanto há vida. Porque, depois que eles se vão, a saudade é inevitável.